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"Ser vegetariana"

  • 4 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

Um pouco antes da quarentena começar, eu tive um período de quase dois meses em que eu parei de comer carne. Eu decidi cortar tudo de uma vez: carne de boi, de porco, frango, peixe, etc.


Contando isso para as pessoas eu recebia diferentes feedbacks. Umas me motivavam a continuar, falando que elas também não comiam e que foi uma mudança muito boa; outras falavam que seria impossível para elas fazer isso, porque a carne sempre foi muito importante na dieta delas; e algumas só queriam o meu bem e perguntavam se eu tinha ido ver um médico para equilibrar a minha dieta.


No final das contas, hoje, eu voltei a comer carne. Mas percebi que esse período fez com que eu abrisse os meus olhos para outra coisas.


Primeiro, não comer carne significava para as pessoas que eu era vegetariana agora. Argumentos como “eu só não estou com vontade de comer carne hoje” ou “eu acho que logo eu devo voltar a comer carne” não importavam para muita gente e traziam problemas no cardápio de casa. Então, eu adotei essa categoria para mim e fui capaz de sustentá-la por muito mais do que eu pudesse imaginar (até me tornei orgulhosa dela depois de um tempo).


Segundo, eu criei o hábito de cozinhar mais. Enquanto antes eu fazia mais bolos e doces em casa, quando eu decidi me dedicar a “ser vegetariana” comecei a me virar mais dentro cozinha. Eu fazia as minhas refeições independente do que as pessoas à minha volta comiam e comentavam.


Eu fiz tabule, falafel, ovos (de todos os jeitos possíveis), lentilha, todos os tipos de verduras de todas as maneiras possíveis, entre outras comidas. Em suma, eu comecei a ter um controle e um cuidado maior com a minha alimentação, algo que eu nunca tinha tido antes.


Também, essa mudança me fez prestar mais atenção nos lugares onde eu comia fora de casa. E eu percebi, por exemplo, que os restaurantes de quilo perto da minha faculdade não eram bons para pessoas vegetarianas/veganas. Notei que a variedade de comidas para “nós” não era alta, o que acabou me desafiando a tentar coisas novas constantemente. Ou seja, os restaurantes faziam a marmita de que eu fiz em casa valer mais a pena que qualquer outra comida no mundo.


E, com isso, na quarentena, mesmo que eu tenha voltado a comer carne, eu construí uma nova perspectiva de ver a minha alimentação, o que vem me ajudando muito. Eu continuo cozinhando muitas sobremesas (não tenha dúvida!), mas eu também aprendi a fazer outros tipos de comida.


Acredito que esses dois meses sem carne foram importantes para o meu desenvolvimento pessoal e que sem o apoio de muita gente e a minha determinação eu não teria durado tanto tempo. Me surpreendeu um pouco como eu fui categorizada rapidamente dentro do grupo sem eu mesma ter tempo suficiente para me sentir pertencente. E mesmo sabendo que não duraria muito, eu “ser vegetariana” começou a fazer parte de mim e eu queria muito que isso se prolongasse o máximo possível. De certa forma, eu diria que cumpri este objetivo.


Com isso, eu desafio você a se desafiar.

Seja mudando a sua alimentação, ou criando um hábito novo. Estamos em um momento de reinvenção, então nada melhor que o presente para fazer uma mudança.


E mesmo que ela não traga muito prazer imediatamente, tenho certeza que ela trará consequeências boas que vão te mudar de alguma maneira.


Esta semana eu revi muitas fotos das comidas que eu fiz antes e durante a quarentena. Por isso, criei um jogo no instagram com as minhas prediletas. Ele é @mary_curious_art vai la dar uma olhada!


Obrigada pela companhia


Até mais


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