Malévola - Persona e Sombra
- Mary Curious Blog
- 3 de fev. de 2021
- 2 min de leitura

Com base nos filmes live-action lançados nos últimos anos pelo estúdio Disney pretendo realizar uma análise sobre as novas histórias das princesas da Disney relacionando-as com conceitos da psicologia.
Nota-se que as relações e as personagens nesses filme se tornaram mais complexas, profundas e realistas do que originalmente. Desse modo, não existe mais uma separação maniqueísta entre o bem e mal, a exemplo do filme de hoje, Malévola (2014). Com base na antagonista do filme original da Bela Adormecida, Malévola se torna protagonista da história nos apresentando outra perspectiva sobre o conto clássico.
Assim como nós, Malévola passa por altos e baixos na vida, está em constante desenvolvimento físico e psíquico e descobrindo seu papel no mundo como a fada protetora dos Moors. Este papel compõe uma de suas persona naquele mundo o que, de acordo com a teoria junguiana, constitui a máscara resultante do acordo entre as características dela com o que é aceito em sociedade. Desse modo, sentimentos, comportamentos e emoções negadas socialmente começam a compor a sua sombra, que fica escondida abaixo da superfície da consciência como parte da inconsciência da personagem.
Portanto, de acordo com Jung, assim como o indivíduo se identifica com aspectos socialmente aceitos, construindo suas diferentes máscaras/personas normalmente estimuladas pela sociedade, ele também reprime outros que se direcionam a sombra além da consciência, posterior ao ego. Desse modo, é possível afirmar que a sombra e a persona atuam de maneira oposta, mas são complementares entre si.
Como uma menina e mulher independente, forte e grande líder Malévola no início do filme é reconhecida principalmente por suas asas até o momento em que são cortadas pela avareza do príncipe. Tal traição elicia todos os aspectos elementos sombrios negados pela personagem para a consciência como maneira de proteção. Malévola decide se colocar superior a todos e construir o muro de espinhos que supostamente é apenas para manter os humanos longe. A perda de sua liberdade e poder a enfraquece e ela se protege com uma barreira psicológica negativa, mas também física.
O nascimento de Aurora é visto por ela como uma chance de conseguir vingança contra Stefan, mas a convivência e o papel materno exercido por ela permitem que Malévola assemelhe os aspectos sombrios invasores. É interessante, quando as duas finalmente se encontram, Aurora reconhece Malévola como uma “sombra”, mas também como uma figura de proteção, sua “fada-madrinha”, carregada de aspectos positivos também. A aproximação com a princesa permite que ela reflita sobre as suas questões e desenvolva uma relação próxima com ela mesma permitindo que o beijo de amor verdadeiro materno acorde a princesa. Ademais, como retribuição, Aurora é a responsável por entregar à Malévola sua liberdade, poder e liderança positiva de volta, com o retorno de suas asas.
O filme de 2014 rompe com a unilateralidade do maniqueísmo clássico promovendo características positivas e negativas com origem na história dos personagens e experiências atuais. A invasão da sombra da protagonista no filme surge como maneira de proteção e nos mostra a importância da assimilação de aspectos sombrios pessoais para a consciência a fim de manter um equilíbrio psíquico na vida.











Comentários