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Era da Guerra - Como a Disney sobreviveu a guerra?

  • Foto do escritor: Mary Curious Blog
    Mary Curious Blog
  • 9 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de set. de 2022


A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 quando Adolf Hitler, líder do partido nazista alemão, invadiu a Polônia. Do lado dos alemães, compondo o Eixo, estava a Itália e o Japão e contra eles estavam os Aliados, a Inglaterra, a França e a Rússia. Mas, quando os japoneses atacaram a base estadunidense de Pearl Harbor no Havaí, os americanos entraram no conflito do lado dos Aliados em 1941.


É perceptível que desde o início do conflito as animações lançadas pelo estúdio Disney começaram a fazer menos sucesso nos cinemas. “Bambi”, por exemplo, trouxe lucro para o estúdio apenas em 1947 quando o filme foi relançado nos cinemas após o fim da guerra. Desse modo, de 1942 a 1949, a Disney Animation Studios passa pela Era da Guerra.


Walt tomou a decisão de retirar o Mickey da maioria dos filmes desse período, a fim de evitar que a imagem do personagem fosse associada ao conflito. Parte do estúdio também se tornou uma base militar e com a entrada dos americanos na guerra diversos animadores foram convocados pelas forças armadas.


Nesse cenário, o governo estadunidense começou a encomendar curtas-metragens animados que serviriam como propaganda e treinamento dos recrutas. Diferente do Mickey, personagens como o Pato Donald e o Pateta, por exemplo, estrelam nos curtas pedidos. O mais famoso deles foi com o Pato Donald que tinha um pesadelo no qual sonhava que era um operário nazista. O curta foi chamado de Der Fuehrer’s Face (1943).


Além dos curtas encomendados, o estúdio continuou produzindo conteúdo próprio. Todos eles compõem o conjunto chamado de “filmes pacote”, nos quais muitas histórias curtas produzidas compunham um longa-metragem animado.


Essa estrutura permitiu que Walt Disney mantivesse o estúdio produzindo coisas novas com um baixo orçamento, enquanto atendia aos interesses do governo americano neste momento de guerra. Além disso, mesmo que sejam pouco conhecidos atualmente, os filmes lançados durante essa Era foram uma maneira de confortar o público nesse momento difícil, o que também garantiu a entrada de dinheiro.

A Era é composta por seis filmes: Alô Amigos (1942), Você já foi à Bahia? (1944), Música Maestro (1946), Como é Bom se Divertir (1947), Tempo de Melodia (1948) e por fim As Aventuras de Ichabod e o Sr Sapo (1949).


Observa-se que, em especial nos dois primeiros filmes, que foram efetivamente lançados no período da Segunda Guerra Mundial, Walt buscou atender ao mercado latino-americano, já que havia perdido o apoio financeiro do mercado europeu. Os filmes tiveram a participação de uma equipe de artistas e músicos latinos e toda mensagem passada nas histórias demonstra a estratégia da política de boa vizinhança, desejada pelo governo norte-americano.


Nesse cenário foram criados personagens como Zé Carioca e Panxito, representantes do Brasil e do México respectivamente. E as histórias contadas também acontecem nesses países, entre outros como Peru, Argentina e Chile.


Entretanto, depois de 79 anos desde o lançamento do primeiro filme observa-se que ele retrata um estereótipo exagerado das pessoas que vivem na América Latina, incluindo o Brasil. Portanto, é importante perceber que se trata de uma imagem racista e como a sociedade mudou desde 1942. A produção desses filmes ajudou o estúdio a sobreviver e na Política de Boa Vizinhança durante a guerra, mas acaba carregando diversos pensamentos culturais que hoje devem ser rechaçados.


Os seis filmes representam um período conturbado e de pouco lucro na história da Disney Studio Animation, mas garantiram que grandes clássicos sejam lançados até hoje.






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