Cinderella - Identidade feminina
- Mary Curious Blog
- 17 de mar. de 2021
- 3 min de leitura

Em 1950, Walt Disney lança sua segunda princesa, Cinderella. A animação foi baseada na história escrita por Charles Perrault e ganha muito reconhecimento até hoje. Assim como o filme clássico, a versão live-action também é baseada no conto, mas traz novos aspectos tanto para os personagens quanto para a história.
Este é o segundo filme das pricesas que quero relacionar com a psicologia. Em Malévola observamos como a personagem passa por momentos difíceis nos quais a sombra invade a consciência como maneira de proteção.
As vivências de Ella, aprendemos sobre a busca pela identidade feminina pessoal. O filme nos mostra que quando pequena sua mãe biológica a ensina a ser boa lhe contando que tudo é possível se ela sempre for gentil e corajosa. Após a morte de sua mãe, Ella segura os ensinamentos dela avidamente, mas deve enfrentar o desafio de viver com sua madrasta e irmãs postiças.
Observa-se que suas irmãs tem uma personalidade muito parecida com a da mãe delas, devido a possível identificação que tiveram com suas atitudes e as pressões sociais impostas no ambiente familiar. Ademais, vivendo na memória da mãe de Ella, uma figura enaltecida tanto pelo marido quando pela filha, a madrasta se vê em segundo plano percebendo que é incapaz de substituir a esposa que ele perdeu. Sua rejeição faz com que ela negligencie a jovem que relembra a mãe que faleceu como maneira de proteção própria, mas também de repressão.
Portanto, a chegada delas na casa, seguida da morte subita de seu pai em uma viagem, submete a jovem a uma condição de servidão promovida pela sombra expressada pela madrasta. Suas irmãs começam a chamá-la de Cinderella fazendo alusão às cinzas (Cinder, em inglês) da lareira que sujam seu rosto depois de uma noite fria em que ela decidiu dormir ao lado do fogo.
As cinzas simbolizam humilhação, mas também podem representar a morte ou destruição que antecipam um renascimento e um recomeço da vida da jovem. Nesse momento, Cinderella se abala, mas deve aprender a deixar de lado sua ingenuidade infatil e se reconstruir a partir desse encontro que ela teve com os seus aspectos sombrios das cinzas.
Abalada com sua posição social dentro da família, Ella foge e se encontra com o príncipe. Descobrimos que o reino é composto apenas por homens, representante de uma polarização muito forte para o masculino. Desse modo, o príncipe demonstra abertura para os ensinamento de Ella com características femininas como o sentimento e a flexibilidade que diminuem a polatrização que existe no reino.
Depois deste encontro Ella retorna para casa relembrando as lições de sua mãe e com a chegada da notícia do baile ela está animada para reencontrar o amigo que conheceu na floresta. A ganância da madrasta e de suas irmãs a abalam novamente, rasgando seu vestido e suas chances de ir ao baile, mas nesse momento surge a fada madrinha, uma outra figura materna de cuidado, que usando sua mágica garante que ela saia para festa.
O uso de magia simboloza a incapacidade da personagem de enfrentar os seus problemas de frente, sendo ela como uma máscara que proteje a jovem. Percebemos que não é até o final do filme, quando o príncipe chega na sua casa, que ela é capaz de assumir sua identidade verdadeira e autêntica e se mostrar para o príncipe. Ademais, percebe-se que o sapatinho de cristal, que não veio de um objeto pré-existente, pode simbolizar a individualidade da jovem e aquilo que permite ela se mostrar como ela realmente é para o príncipe.
A história de Ella representa o encontro com sua identidade feminina, entretanto é importante percebermos que assim como nós ela sofre mais de um desafio e mesmo como rainha outros surgiram do mesmo modo que a nossa construção pessoal está em constante movimento.
Fonte: https://encenasaudemental.com/cinema-tv-e-literatura/cinderela-e-o-processo-de-individuacao-nos-contos-de-fadas/. Acesso: 10 março 2021.

















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