Anne with an E - "She is ahead by a century"
- 4 de nov. de 2020
- 6 min de leitura
Escrito 11 de julho 2020

"Anne with a E" é uma série de televisão episódica canadense que foi adaptada da obra clássica de literatura infantil de Lucy Maud Montgomery, "Anne de Green Gables". O romance foi lançado em 1908, seguido de pelo menos 36 versões traduzidas e inúmeras sequências, que contam a história de Anne à medida que ela envelhece e constrói sua própria família.
A história do romance se passa no final do século XIX, na cidade fictícia de Avonlea, na Ilha Prince Edward que fica no Canadá. Ele conta as aventuras de Anne Shirley, uma menina órfã de 11 anos, que foi enviada por engano a dois irmãos de meia-idade, Matthew e Marilla Cuthbert. Eles pretendiam adotar um menino que os ajudasse nas tarefas da antiga fazenda da família.
Por enquanto, entre as muitas adaptações que o romance teve, veremos a criação de Moira Walley-Beckett para a CBC Television e transmitida na Netflix. "Anne with a E" é estrelada por Amybeth McNulty como Anne Shirley, Geraldine James como Marilla Cuthbert, R. H. Thomson como Matthew Cuthbert, Dalila Bela como Diana Barry, a melhor amiga de Anne e Lucas Jade Zumann como Gilbert Blythe, o interesse amoroso dela.
A série estreou em 2017 na CBC e na Netflix. Foi renovada para uma segunda e terceira temporada, mas logo a CBC e a Netflix anunciaram que a série foi cancelada.
Depois de aprender mais sobre o personagem e sua história assistindo a série e pesquisando mais sobre ela, acredito que os diretores e produtores fizeram um ótimo trabalho com todos os episódios lançados. Anne foi muito bem representada por Amybeth McNulty e a vemos crescer e se tornar uma jovem bonita até a terceira temporada. Cada episódio traz um aspecto diferente da vida durante o século 19, mas ainda é capaz de trazer temas importantes que precisam ser discutidos em nossos dias atuais.
A paisagem utilizada para a série, bem como os figurinos permitem que o público imersa naquela época, mas ainda reconheça os temas na atualidade. Ademais, percebe-se o desejo de pertencimento que Anne busca durante todas as temporadas, já que por muito tempo ela não teve um lugar que a acolhesse como a casa dos irmãos. Ela tenta se encaixar com as meninas na escola, com a sociedade que mora em Avonlea e especialmente tenta se provar constantemente para os irmãos que não a queriam inicialmente. Com isso, acredito que cada temporada representa um momento na vida de Anne.
AVISO SPOILERS!
A série traz três temporadas e cada uma representa um momento pelo qual Anne passa. Chamei a primeira temporada de “Bem-vinda a Green Gables”. Ela é composta de 7 episódios, mostra a adaptação de Anne fora do orfanato. Ela revive diversos traumas que ela passou enquanto era órfã ou até quando foi adotada por uma família que só desejava o serviço dela como cuidadora de crianças. Esses flashbacks mostram porque ela sente tanto medo em algumas situações, bem como porque as vezes ela não consegue se encaixar na sociedade de Avonlea.
Percebe-se que existem muitos mal-entendidos e momentos de amadurecimento em que Anne precisa aprender mais sobre como viver em sociedade e como se comportar como uma mulher. Por outro lado, percebemos que a confiança que os irmãos colocam nela é retribuída, já que até o final da temporada se mostra comprometida a família e as pessoas que ela conhece em avonlea, A exemplo disso, temos que sua habilidade com crianças a ajuda salvar Minnie May, a irmã de sua melhor amiga. Ela ajuda a menina sem pedir nada em troca e é capaz de reconciliar com Diana depois de ajudar a irmã. Anne também se dispõe a desistir de suas posses mais preciosas para salvar a fazenda onde vive no final da série, mostrando seu comprometimento a Green Gables.
A primeira temporada faz o público se encantar com a menina e com Avonlea e é uma ótima introdução para a série, que ganhou a segunda temporada no ano seguinte.
Na segunda temporada, composta de 10 episódios, Anne já mora em Green Gables a um ano, por isso a chamei de “Crescendo em Green Gables”. Portanto, Anne, não só vive lá mas passa por diversos momentos de amadurecimento e crescimento pessoal. Minha maior crítica à série, entretanto, vai a essa temporada, pois os três primeiros episódios representam uma única história que se prolonga por muito tempo. O público já sabe que os homens que vivem em Green Gables pretendem roubar da cidade desde a temporada anterior e acredito que estender essa ideia acaba prolongando uma ansiedade e impaciência naqueles que assistem.
Por outro lado, a segunda temporada tras Anne amadurecimento constantemente. Sue preocupação em ser vaidosa, sua primeira festa na casa da Tia Josefina, suas novas amizades, a construção da concepção de casamento quando uma de suas colegas está prestes a se casar e claro ela aprendendo a respeitar os outros a volta dela.
“I’m not gonna give myself over to someone and be a prettyish piece of property without a voice or ambition. We will be equals and partners not just husband and wife” - Anne
Listei muitas coisas, o que posso de dizer que ao mesmo tempo que essa temporada tem os piores episódios ela também carrega os melhores e todos eles juntos formam um conjunto de episódios que mostram Anne crescendo e amadurecendo ao lado de sua família e amigos. Ela se conhece melhor, aprende a ser mais compreensiva com as pessoas a sua volta, mas continua com a sua personalidade explosiva e cativante da primeira temporada.
E finalmente, chegamos à terceira temporada, composta por 10 episódios. Anne está se preparando para ir a faculdade e por isso chamei essa temporada de “Saindo de Green Gables”. Anne não só está saindo de casa, mas também está descobrindo mais sobre o seu passado, o que implica um certo afastamento dos Cuthberts. Isso preocupa muito Marilda, que tenta castigá-la de diversas maneiras, para manter a menina próxima, ate o momento em que ela percebe que castigar e punir Anne só vai afastar mais a menina dela.
Durante a sua busca ela retorna ao orfanato e é obrigada a enfrentar o seu passado. Com a ajuda de seu amigo ela é capaz de realizar a viagem e continuar procurando, mesmo que o futuro seja incerto e possa trazer sofrimento para ela.
-“I thought I was princess Cordelia. I spent my life here in full, lunatic imagination. What else did I tell myself?” - Anne;
-“No, not pathetic. It saved you, that you used your imagination to escape this place. Your reality , it’s effervescent. Beautiful. A it made you who you are. Able to see and dream what is possible… not just what is. You’re amazing because of your experiences. It’s given you such empathy and the widest mind of anyone I know. And selfishly… I’m thankful for it all” - Cole
A sua jornada é finalizada quando os Cuthberts encontram um livro que pertencia aos seus pais. Desse modo, Anne continua conectada aos irmãos, mas é capaz de apreciar um pouco da sua história também.
Anne também aparece expandindo mais o seu mundo quando convive com os americanos nativos, algo que vai contra toda cultura da sociedade em que ela vive. Além disso, ela começa a se valorizar mais, ou seja, em vez de se preocupar com a sua beleza, como fazia na segunda temporada, ela aceita mais o seu corpo e junto com suas amigas passa por um ritual de valorização da mulher (Citação 1) e da liberdade de discurso (Citação 2 e Imagem). Anne e seus amigos do jornal batalham durante um episódio, afinal quando ela defende a posição da mulher, ela defende uma igualdade não a criação de uma grande revolução como a população espera.
“We women, powerful and sacred, declare upon this hallowed night. Our heavenly bodies belong solely to us. We shall choose whom to love and with whom to share trust. We shall walk upon this earth with grace and respect. We’ll always take pride in our great intellect. We’ll honor our emotions so our spirits may soar! And should any man belittle us we’ll show him the door! Our spirits are unbreakable, our imaginations are free! Walk with us, goddess, so blessed are we!”
“We are not here to provoke, we are here to be heard. Even though you tried to silence our voices, well, we have a message for you”

Todas essas mudanças mencionadas (entre outras) deixam a terceira temporada com momentos mais emotivos e impactantes que o restante das temporadas. O romance entre Anne e Gilbert também está florescendo e passa por diversos obstáculos, o que traz uma sensação de ansiedade, mas também de vontade de seguir em frente. A maior parte do público quer os personagens juntos, o que os faz sofrer junto com os personagens até o momento em que todos gritam de alegria que eles finalmente estão juntos.
As três temporadas de Anne with an E são para um público que ama um pouco de história, romance, comédia, amizade, entre outros aspectos. Mas você só é capaz de apreciar a série ao máximo depois que você se entrega completamente a ela. Posso dizer com razão que Anne with an E é uma das melhore séries que eu já vi e que eu poderia assistir múltiplas vezes sem ficar cansada dos acontecimentos.

















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